Interferência externa nas eleições brasileiras é motivo de preocupação para a Academia Brasileira de Ciências (ABC) e a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). Em nota conjunta divulgada em 21 de setembro, as entidades citaram alertas sobre possíveis pressões provenientes dos Estados Unidos que poderiam afetar a soberania nacional, o funcionamento das instituições democráticas e a livre formação da vontade dos eleitores. :contentReference[oaicite:0]{index=0}
Na manifestação, ABC e SBPC defenderam a autonomia dos brasileiros para escolher seus representantes e afirmaram que eventuais ações de interferência devem ser identificadas e apuradas com base em evidências, transparência e respeito ao Estado Democrático de Direito.
“A escolha dos governantes brasileiros pertence exclusivamente ao povo brasileiro”, afirmam as entidades na nota. O documento também cita possíveis formas de interferência, como pressões políticas ou econômicas, manipulação do ambiente informacional e uso indevido de tecnologias e plataformas digitais.
Entidades citam possíveis pressões dos Estados Unidos
A preocupação manifestada pela ABC e pela SBPC ocorre em meio a alertas sobre possíveis interferências externas no processo eleitoral brasileiro de 2026. As entidades destacaram especificamente a possibilidade de pressões provenientes dos Estados Unidos.
A nota não apresenta como fato consumado uma interferência estrangeira nas eleições. As entidades tratam o tema como um risco a ser acompanhado e defendem que eventuais ações dessa natureza sejam investigadas com base em evidências.
Em documento público sobre os desafios de inteligência para 2026, a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) também inclui o risco de interferência externa entre as vulnerabilidades relacionadas ao processo eleitoral brasileiro. O relatório cita ainda desinformação, uso de inteligência artificial e deepfakes entre os fatores que podem afetar a segurança e a integridade da democracia. :contentReference[oaicite:1]{index=1}
ABC e SBPC defendem mobilização das instituições
As entidades pediram que instituições da República, comunidade científica e acadêmica, organizações da sociedade civil, meios de comunicação, plataformas digitais e a população permaneçam atentos à integridade do processo democrático.
Segundo ABC e SBPC, a proteção da democracia também depende de acesso ao conhecimento, liberdade de pensamento e integridade das informações utilizadas pelos cidadãos para formar suas convicções.
A manifestação relaciona ainda soberania política, soberania científica e soberania digital à capacidade de o Brasil tomar decisões sobre seu próprio futuro.
Instituto Vladimir Herzog levou preocupação à ONU
ABC e SBPC também manifestaram apoio à iniciativa do Instituto Vladimir Herzog de levar às Nações Unidas preocupações relacionadas a possíveis ingerências no processo eleitoral brasileiro.
Segundo as entidades, a iniciativa solicita atenção internacional para a defesa da soberania brasileira, do princípio da não intervenção e do respeito ao resultado oficialmente proclamado pela Justiça Eleitoral, independentemente de quem seja o vencedor.
Lula abordou soberania em discurso na ONU
O tema da soberania e da interferência estrangeira também foi abordado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em discurso na Assembleia Geral das Nações Unidas, em 22 de setembro.
Ao tratar de processos políticos internacionais, Lula afirmou que o mundo voltou a presenciar ingerência externa em processos eleitorais e criticou a divisão do mundo em zonas de influência e o que classificou como investidas neocoloniais.
O presidente mencionou situações envolvendo Venezuela, Nicarágua, Haiti e Cuba ao abordar tentativas de influência estrangeira sobre processos políticos na América Latina e no Caribe.
O que dizem ABC e SBPC sobre as eleições
Na nota conjunta, as entidades reafirmam princípios relacionados à soberania nacional, à autodeterminação, às eleições livres e íntegras, à não intervenção externa e ao respeito à Constituição e às instituições democráticas.
ABC e SBPC também defendem a integridade do ambiente informacional e o reconhecimento do resultado oficialmente proclamado pela Justiça Eleitoral, independentemente da escolha feita nas urnas.
As eleições brasileiras de 2026 estão marcadas para 4 de outubro. Na data, os eleitores escolherão representantes para os cargos de deputado estadual ou distrital, deputado federal, senador, governador e presidente da República.
Nota alerta para novas formas de interferência
As entidades afirmam que a circulação internacional de informações, dados e tecnologias criou novas possibilidades de interferência em processos democráticos. Por isso, defendem atenção também ao uso de tecnologias e plataformas digitais.
Segundo a ABC e a SBPC, eventuais ações de interferência externa nas eleições devem ser identificadas e apuradas com transparência e base em evidências. A posição consta da nota conjunta divulgada pelas duas entidades em 21 de setembro.
As entidades encerram o documento defendendo o direito do Brasil de decidir seu futuro sem interferências externas e reafirmando a importância da soberania e da integridade do processo eleitoral.