Deepfakes nas eleições: CGI.br alerta para riscos da IA generativa

Deepfakes nas eleições estão entre os riscos apontados pelo CGI.br, que alerta para o avanço da inteligência artificial e da desinformação.

Deepfakes nas eleições estão entre os principais riscos associados ao avanço da inteligência artificial generativa no ambiente eleitoral. O alerta faz parte da segunda edição do Guia Internet, Democracia e Eleições, publicado pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br) nesta terça-feira (22). A publicação analisa as transformações ocorridas no ambiente digital desde a primeira edição do guia, lançada em 2018.

Segundo o CGI.br, a desinformação deixou de circular principalmente em redes abertas e passou a se espalhar também por ambientes mais restritos, como o WhatsApp. O conteúdo também se tornou mais distribuído entre diferentes plataformas e passou a utilizar cada vez mais vídeos e materiais manipulados por inteligência artificial.

O guia aponta que o vídeo se tornou um dos principais formatos utilizados na disseminação de conteúdos desinformativos, geralmente acompanhado de textos curtos que ajudam a sustentar a narrativa apresentada. A publicação também destaca que a inteligência artificial generativa ampliou a capacidade de produção de imagens, áudios e vídeos sintéticos com aparência realista.

IA generativa ganha espaço nas eleições de 2026

As ferramentas de inteligência artificial generativa já estavam presentes no ciclo eleitoral de 2022, mas o CGI.br avalia que elas terão impacto ainda maior em 2026. A combinação entre produção automatizada de conteúdos, ferramentas de distribuição e direcionamento para perfis específicos de usuários aumenta a complexidade do ambiente informacional.

O guia dedica uma seção específica ao impacto da IA generativa no cenário eleitoral, com atenção às deepfakes nas eleições e aos modelos de linguagem conversacionais. Segundo a publicação, a popularização dessas tecnologias tornou mais acessível a criação de conteúdos sintéticos com alto grau de realismo, inclusive por pessoas sem conhecimento técnico especializado.

O documento também apresenta as regras estabelecidas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para o uso de inteligência artificial na propaganda eleitoral. Entre as medidas citadas está a Resolução nº 23.755/2026, que estabelece restrições à publicação, republicação e ao impulsionamento de novos conteúdos produzidos ou alterados por IA nas 72 horas anteriores e nas 24 horas posteriores a cada turno de votação, mesmo quando devidamente identificados.

Chatbots também são apontados como fonte de risco

Além das imagens, áudios e vídeos sintéticos, o guia chama atenção para o uso de chatbots como fonte de informações eleitorais. Diferentemente dos mecanismos de busca tradicionais, que apresentam links e fontes para consulta, sistemas conversacionais sintetizam informações e apresentam respostas personalizadas, o que pode dificultar a identificação da origem e da confiabilidade do conteúdo.

O documento cita pesquisas segundo as quais modelos de inteligência artificial podem influenciar a opinião de eleitores. O guia também menciona estudos que identificaram algum grau de interferência em cerca de 90% das respostas geradas sobre temas eleitorais, apesar das restrições estabelecidas pelo TSE para que ferramentas de IA não ranqueiem, priorizem ou emitam opiniões sobre candidatos.

Plataformas digitais e sistemas de recomendação

O funcionamento dos sistemas de recomendação também é analisado pelo CGI.br. O guia afirma que as plataformas digitais não funcionam apenas como meios neutros de circulação de informações, uma vez que seus modelos de negócio estão relacionados, em grande parte, à publicidade direcionada e ao engajamento dos usuários.

De acordo com a publicação, essa estrutura influencia quais conteúdos recebem maior visibilidade e pode favorecer materiais com maior capacidade de mobilização emocional. O guia defende que compreender o funcionamento das plataformas, a distribuição dos conteúdos e seus impactos sobre o debate público é importante para a integridade da informação.

Risco de perda de confiança nas informações

Um dos alertas relacionados às deepfakes nas eleições é o potencial de conteúdos cada vez mais realistas dificultarem a identificação de materiais falsos, inclusive por pessoas com experiência na avaliação de informações.

O CGI.br também aponta que a disseminação de conteúdos falsos pode produzir um efeito mais amplo: a desconfiança generalizada em relação às informações disponíveis. Nesse cenário, conteúdos verdadeiros também podem ser colocados em dúvida.

O guia relaciona ainda esse ambiente à polarização política e à tendência de pessoas consumirem informações que confirmem crenças já existentes. Segundo o documento, conteúdos que entram em conflito com essas convicções podem ser rejeitados, fenômeno associado pelo estudo ao conceito de racionalidade motivada.

Guia traz orientações contra a desinformação

Além de analisar os sistemas de recomendação, as plataformas digitais e os efeitos da inteligência artificial generativa, o Guia Internet, Democracia e Eleições – Volume II reúne diretrizes para o combate institucional à desinformação.

A publicação também apresenta orientações para que os cidadãos evitem se tornar vítimas ou propagadores de conteúdos falsos ou enganosos. O material aborda ainda o papel dos influenciadores digitais e diferencia sua atuação da atividade jornalística, especialmente em relação a códigos de ética e à responsabilidade institucional pela veracidade das informações divulgadas.

O guia está disponível gratuitamente no site do CGI.br e foi elaborado para orientar a população, além de servir como referência para legisladores e tomadores de decisão na formulação de políticas públicas.

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