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Setembro Amarelo, é preciso agir!



Desde o ano de 2014, a Associação Brasileira de Psiquiatria – ABP, em parceria com o Conselho Federal de Medicina – CFM, organiza nacionalmente o Setembro Amarelo- mês dedicado a conscientização e prevenção ao suicídio. O dia 10 deste mês é, oficialmente, o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, mas a campanha é debatida durante o ano todo.


Segundo dados divulgados pela Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil é o oitavo pais do mundo com mais taxas de suicídio, ficando atrás apenas da Índia, China, Estados Unidos, Rússia, Japão, Coreia do Sul e Paquistão. São registrados cerca de 12 mil suicídios por ano no Brasil e mais de 1 milhão no mundo. Trata-se de uma realidade que atinge principalmente pessoas entre 20 e 59 anos.


Cerca de 96,8% dos casos estão ligados a transtornos mentais causados pela depressão e ansiedade. Outro fator que atinge a maioria dos jovens, é o bullying. A violência que é tratada como “brincadeira”, se torna gatilho para as doenças descritas anteriormente, acumulando traumas que levam ao suicídio.


A cor da pele, a orientação sexual, o jeito de se vestir ou até mesmo o lugar onde você reside, todos esses pontos são características que levam a optar pelo fim da vida. A estudante de Enfermagem Gabriella Oliveira, conta que durante anos tentou tirar a própria vida através da autoflagelação.


“Tudo começou quando eu era criança, passei por vários transtornos psicológicos e familiares, que envolviam abusos sexuais e drogas por parte da minha "genitora", (mãe) que me levaram a depressão. Depois desses episódios, fiquei internada por conta da doença e quando retornei para a escola sofri com o bullying. Meus colegas, caçoavam de mim porque minha mãe tinha sido presa, riam do meu cabelo crespo e da cor da minha pele. Quando eu comecei a entrar na minha adolescência, que foi a segunda fase mais difícil da minha vida, eu comecei a entender tudo o que tinha acontecido, e eu me culpava sempre, acima de tudo e eu achava que a automutilação iria me ajudar, foi aí que comecei com os cortes, qualquer frustração, ou situação difícil, eu recorria para a gilete e foi assim durante 4 longos anos.”


O dia 10 de setembro é especial para ela, neste ano fazem exatos 5 anos que a universitária decidiu se dar uma nova chance e parar com a autoflagelação. A estudante hoje conta sua história para motivar a você que está lendo essa matéria, a procurar ajuda de um profissional. Fazer terapia não é vergonha, é cuidar de si mesmo!

A seis meses fomos atingidos pela onda do isolamento social, ficamos longe dos amigos, com quem costumamos compartilhar muitas coisas. Fomos “obrigados” a nos recolher em família.

Segundo o estudo realizado pela Fundação Oswaldo Cruz -Fiocruz, 51% dos casos de suicídio no Brasil acontecem dentro de casa. E apenas UM em cada três casos chegam até os serviços de saúde. Um outro estudo apontou que a taxa de mortalidade entre jovens negros é superior quando comparada a jovens adolescentes brancos. Em 2012, a taxa foi de 4,88 óbitos por 100 mil. O número aumentou 12% e chegou a 5,88 óbitos por 100 mil no ano de 2016. No mesmo período a taxa de mortalidade entre os jovens adolescentes brancos permaneceu estável.

Para entender o porquê de o suicídio afetar mais os jovens negros do que brancos, é necessário analisar os impactos do racismo na sociedade. E aí, entramos novamente no gatilho do bullying relatado pela universitária Gabriela no parágrafo acima. O jovem negro quando está na fase de construir a sua identidade, a constrói a partir de características criadas pela sociedade que o classifica como inferior. Essa percepção de não pertencimento ao grupo social “correto” faz com esse jovem desenvolva a depressão e em muitos casos, tente o suicídio.

A psicóloga, Andressa Rufato, explica que o período de isolamento para quem está passando por um processo de sofrimento mental é um pouco mais complicado “ Infelizmente, neste período as emoções ficam literalmente a flor da pele e com isso, as passagens ao ato (como o suicídio) podem ter um aumento sim”. Ela relata ainda, que dentro da periferia existe mais um fator que gera preocupação nesse tempo “as questões sociais, como perda financeira, são fatores que podem ter agravado mais os casos de doenças mentais, como ansiedade e depressão.”


O dia 10 de setembro não precisa e nem deve ficar preso em apenas um mês especifico. Falar sobre suicido e saúde mental é algo urgente. Te convidamos a aderir a campanha durante todos os dias, incentive o seu próximo a procurar ajuda de um profissional, ir ao psicólogo ao contrário do que muitos dizem não é coisa de doido. Esses profissionais estão aqui para nos ajudar!


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