Uma em cada 10 crianças estão fora da escola

No Brasil, colocar crianças na escola a partir dos 4 anos não é uma escolha — é lei. Ainda assim, a realidade mostra que esse direito básico não está sendo garantido para todos.

Dados recentes apontam que, em 876 cidades brasileiras, pelo menos uma em cada dez crianças de 4 e 5 anos está fora da escola. Isso representa 16% dos municípios do país.

Mesmo na Região Sudeste, onde está Minas Gerais, 13% das cidades não conseguem garantir vaga para todas as crianças nessa faixa etária.

Por que isso é grave?

A educação infantil é a base de tudo. É nessa fase que a criança começa a desenvolver habilidades essenciais para a vida, como comunicação, convivência social e aprendizado.

Quando a criança não vai para a escola, ela pode enfrentar consequências como:

  • Atraso no desenvolvimento da fala e aprendizagem
  • Dificuldade de socialização
  • Maior risco de evasão escolar no futuro
  • Exposição a situações de vulnerabilidade social
  • Menor oportunidade de crescimento e renda na vida adulta

Nas periferias, esse impacto pode ser ainda mais forte, já que a escola muitas vezes também garante alimentação, proteção e acesso a direitos básicos.

Creche também é direito

Para crianças de até 3 anos, a matrícula em creches ainda não é obrigatória, mas é um direito garantido. Mesmo assim, 81% dos municípios brasileiros não conseguem atender nem 60% dessa população.

No Brasil, apenas 39,7% das crianças dessa faixa etária estão matriculadas.

O papel do Conselho Tutelar

Muita gente não sabe, mas o Conselho Tutelar tem um papel fundamental nessa situação.

Quando uma criança em idade obrigatória (4 e 5 anos) está fora da escola, o Conselho pode:

  • Notificar os responsáveis
  • Orientar a família sobre a importância da matrícula
  • Acionar a rede pública para garantir a vaga
  • Aplicar medidas de proteção à criança

Ou seja, não colocar a criança na escola pode gerar consequências legais para os responsáveis, além de prejudicar diretamente o futuro da criança.

E se não tiver vaga?

Nesse caso, a responsabilidade é do poder público. Os municípios são os principais responsáveis por garantir creches e pré-escolas.

Se não houver vaga, a família pode:

  • Procurar a Secretaria de Educação do município
  • Registrar solicitação formal por vaga
  • Acionar o Conselho Tutelar
  • Buscar apoio da Defensoria Pública

O que está sendo feito

O Governo Federal afirma que vem ampliando os investimentos na educação infantil. Desde o início da atual gestão, foram entregues 886 unidades, com investimento de R$ 1,4 bilhão.

Outras 1.684 creches e escolas estão previstas, com potencial para criar mais de 323 mil novas vagas em todo o país.

O que a comunidade pode fazer

Garantir que todas as crianças estejam na escola é responsabilidade de todos. Nas periferias, a informação e a mobilização fazem diferença.

  • Verifique se há crianças fora da escola na sua rua ou comunidade
  • Oriente famílias sobre a obrigatoriedade da matrícula
  • Procure o Conselho Tutelar em caso de dúvida ou denúncia
  • Cobre vagas e estrutura do poder público

Educação não é favor — é direito. E garantir esse direito pode mudar o futuro de uma criança inteira.

Fonte: Dados do Iede, IBGE e Ministério da EducaçãoProdução: Comunitude

 

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