O Vídeo que Mudou a Narrativa

O ponto central da contestação da família reside em imagens de um circuito interno de segurança. Segundo parentes e moradores que tiveram acesso ao material, o vídeo contradiz a dinâmica descrita no Boletim de Ocorrência.

📹 O Que as Imagens Revelam?

A família afirma que as gravações mostram o momento exato em que a viatura policial atinge a motocicleta. Na sequência trágica, após a queda, Hércules teria sido atropelado pelo veículo oficial.

Essa prova visual é a base para o pedido de uma reconstituição técnica do acidente, focada na velocidade da viatura e no posicionamento dos veículos na via estreita do bairro.

Análise Técnica: Laudo Médico

Para além das imagens, o laudo médico preliminar trouxe informações que, segundo a família, reforçam a tese de um impacto desproporcional. O atestado de óbito aponta como causas da morte:

🔬 Entendendo o Laudo

  • Ruptura de Câmara Cardíaca: Uma lesão gravíssima que geralmente ocorre apenas em impactos de altíssima energia ou compressão torácica severa (comum em atropelamentos onde o veículo passa sobre o tórax).
  • Trauma Contuso de Tórax: Indica uma força contundente aplicada diretamente na região peitoral.

A defesa da família argumenta que essas lesões são compatíveis com o atropelamento visualizado nas câmeras, exigindo que a perícia criminal cruze esses dados biológicos com a física do acidente.

Pontos Cegos da Investigação

O caso acumula perguntas ainda sem respostas definitivas que inflamam o debate em Juiz de Fora:

  • A questão da Embriaguez: O registro policial cita possível embriaguez da vítima, mas admite que o teste do etilômetro não foi realizado devido à gravidade do quadro clínico. A família exige provas laboratoriais (exame toxicológico no IML) para confirmar ou refutar essa alegação, temendo que ela seja usada para deslegitimar a vítima.
  • O Misterioso “Garupa”: Há divergências sobre a presença de um segundo ocupante na moto. A família pede que a perícia técnica e testemunhas confirmem se Hércules estava ou não sozinho, eliminando especulações.

Mobilização e Resposta Oficial

No último domingo, o caso levou moradores às ruas. O protesto, marcado por comoção, pediu justiça e transparência. Hércules foi sepultado em Ewbank da Câmara sob forte comoção.

A Polícia Civil confirmou a instauração de inquérito para apurar condutas e responsabilidades. Já o Ministério Público se manifestou:

“A 5ª Promotoria de Justiça de Juiz de Fora informou que tomou conhecimento do caso […] e destacou que a definição de responsabilidades depende de levantamentos periciais mais aprofundados. Até o momento, o registro policial não apresenta inconsistências formais, mas as apurações seguem.”

🚦 Contexto de Segurança: O Perigo das Perseguições

O trágico episódio reacende um debate necessário sobre protocolos de abordagem em áreas urbanas. Especialistas em segurança apontam que perseguições em bairros residenciais, como o São Judas Tadeu, aumentam exponencialmente o risco de letalidade.

Embora a dinâmica específica deste caso esteja *sub judice*, a orientação geral de segurança para motociclistas é clara: ao receber ordem de parada, reduza a velocidade e obedeça. A evasão, somada à alta velocidade em vias estreitas, cria um cenário de risco iminente tanto para o condutor quanto para terceiros.

A Comunitude continuará acompanhando o desenrolar das perícias e ouvindo todas as partes envolvidas no caso, mantendo o compromisso com a verdade dos fatos em questão.